Denúncias de Misoginia e Vi0l3ncia no Campo Psicanalítico.
- gepefonline
- 24 de abr.
- 3 min de leitura

Nota de Posicionamento - GEPEF
O GEPEF - Grupo de Estudos, Pesquisas e Escritas Feministas vem a público manifestar sua solidariedade e seu mais profundo respeito à coragem das mulheres que, mais uma vez, rompem o silêncio para relatar situações de misoginia e vi0l3ncia no âmbito da psicanálise. Suas vozes, ao nomearem dores e traumas relacionados a situações de vi0l3ncias historicamente silenciadas, não apenas expõem feridas institucionais, mas também nos convocam, de forma ética e inegociável, à responsabilidade coletiva.
Há alguns anos, o GEPEF dedica-se a estudar, debater, promover eventos, pesquisas e escrever sobre os atravessamentos entre a teoria feminista, a psicanálise e a filosofia. Este trabalho nos mostrou que a misoginia não é somente uma falta individual, mas uma estrutura de pensamento e uma organização de poder que, muitas vezes, se repete em nossas práticas, instituições e modos de trocas de conhecimento. É uma sombra que insiste em se projetar, sobre corpos e subjetividades, disfarçada de transgressão natural ou romantizada das normas garantidoras de condições mínimas de trabalho e de convivência em ambientes clínicos e acadêmicos.
Acreditamos profundamente que o combate a essa estrutura não se dá por uma via única. Por isso, entendemos a importância de múltiplas frentes de luta: desde o acolhimento emocional e psicológico e a proteção das pessoas vitimizadas, passando pela proteção jurídica, até o trabalho cotidiano de pesquisas e estudos para desconstrução de discursos e práticas que naturalizam a vi0l3ncia. Cada frente é um elo fundamental para que a corrente de opressão seja rompida.
A nossa contribuição, enquanto grupo de estudos, pesquisas e escritas feministas, se dá na esfera que nos é mais própria: a da investigação crítica, da construção de espaços de debate, da construção coletiva de linguagens feministas nas esferas da psicanálise, da filosofia e das trocas teóricas. É na pesquisa rigorosa, na leitura atenta e na produção de conhecimento que não se furta em questionar seus próprios fundamentos que encontramos nossas ferramentas políticas. Ao estudar, pesquisar e escrever, reinventamos possibilidades que enfrentam o patriarcado. Ao questionarmos as tramas do desejo e a disputa de poder, expomos as engrenagens da dominação e buscamos construir formas estratégicas de atuação. Ao dar voz a outras narrativas, feministas e plurais, afirmamos que a psicanálise pode e deve ser um campo de acolhimento e libertação, e não de repetição de vi0l3ncias. Por isso, entendemos que o trabalho de reflexão e debate promovido pelo GEPEF é, em si mesmo, uma forma de resistência ativa e constante. É um esforço para que a teoria não se torne um fetiche que ignore a dor do mundo, mas sim uma ferramenta viva para compreendê-la e transformá-la.
Temos disponibilizado em nossos canais (Youtube e Site) as iniciativas que já desenvolvemos nos âmbitos de estudos, escritas e pesquisas sobre essa temática, na esperança de contribuir com o importante movimento protagonizado pelas mulheres.
Seguimos atentas e ativas. Reafirmamos nosso compromisso de fortalecer esta luta, não como um evento pontual, mas como movimento histórico multidisciplinar que acompanha os diferentes feminismos há anos; são eles a orientarem cada linha do que escrevemos e cada diálogo que construímos. Às pessoas que vieram a público relatar suas histórias, nossa escuta respeitosa e nossa gratidão por nos lembrarem, com sua coragem, que a transformação é um imperativo, não uma possibilidade.
GEPEF - Grupo de Estudos, Pesquisas e Escritas Feministas
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